Encontro discute mediação, que ainda tem um longo caminho a percorrer

Os desafios e potenciais sinergias entre arbitragem e mediação empresariais foram tema do encontro realizado no último dia 24, na sede do escritório Perlman Vidigal Godoy Advogados. O evento “Arbitragem e Mediação: Sinergias e desafios no convívio das duas práticas nos escritórios de advocacia” fez parte da segunda edição do São Paulo Arbitration Week, iniciativa colaborativa entre escritórios de advocacia, universidades, associações e instituições, inserida no contexto do “VI Congresso CAM-CCBC de Arbitragem”.

Os sócios Luciano de Souza Godoy, árbitro e especialista em contencioso, e Marcelo Perlman, atuante em societário e mediação empresarial, mediaram o evento que contou com a presença de Tania Almeida (mediadora e fundadora do MEDIARE, RJ), Gilberto Giusti (sócio do Pinheiro Neto Advogados, SP), Yasmine Lahlou (sócia do Chaffetz Lindsey LLP, NY) e Nathalia Mazzonetto (sócia do Müller Mazzoneto Advogados, SP).

O evento explorou a arbitragem e a mediação, que têm aspectos semelhantes e antagônicos ao mesmo tempo, com a presença de especialistas que deram suas visões sobre as duas ferramentas de solução de conflitos. “A contribuição dos convidados foi fundamental para um debate amplo, que trouxe luz a aspectos importantes sobre mediação e arbitragem, principalmente no Brasil”, explicou Luciano de Souza Godoy.

Para Tania Almeida, mediadora e fundadora do MEDIARE, a mediação empresarial no Brasil é um grande instrumento para resolução de conflitos no mundo corporativo, mas ainda precisa evoluir em diversos aspectos. “Na mediação você tem um controle maior sobre o instrumento, sobre o resultado e a autoria faz com que as soluções sejam customizadas, mas o maior obstáculo é a ausência de informação, de conhecimento dos benefícios e como trabalhar com o princípio da adequação”, comentou Tania.

Outro ponto destacado pela mediadora e fundadora do MEDIARE foi a necessidade de o mediador estar “atento às diversas formas de visão, pois moramos em um país continental, no qual empresários de diversas regiões têm formas particulares de enxergar os conflitos e seu negócio. O mediador tem que olhar de forma balanceada para esta situação”.

Já Gilberto Giusti, sócio do Pinheiro Neto Advogados, destacou outros desafios para os profissionais que atuam na mediação, principalmente em relação à evolução do advogado. “Ainda estamos migrando do advogado do século XX para o século XXI. Ainda temos a visão de advogado contencioso, que recorre a ferramentas diferentes para resolução de conflitos. Para mudar essa visão é preciso entender as partes envolvidas e, assim, atuar como mediador”, ressaltou.

Ainda segundo Giusti, a arbitragem no Brasil está consolidada, pois teve um período de amadurecimento, além de parecer mais sinérgica com a visão de resolução de conflitos no Brasil. “Com o tempo ficou claro o que é arbitragem. Outro ponto que contribuiu com a sua solidificação vem da cultura brasileira de termos medo de decidir e sempre delegamos para que outra parte o faça”.

Yasmine Lahlou, sócia do Chaffetz Lindsey LLP, de Nova Iorque, destacou os benefícios da mediação como forma de solucionar conflitos entre as partes. “As disputas, apesar de maior investimento financeiro e tempo, são resolvidas de forma precisa, pois entendemos as partes envolvidas”, apontou.

A questão dos aspectos contratuais na mediação como forma importante para a resolução de conflitos também foi abordada por Nathalia Mazzonetto, sócia do Müller Mazzoneto Advogados. “É preciso elaborar contratos que tenham a linguagem das partes envolvidas, contribuindo para o engajamento delas”. Nathalia também defendeu a importância da comunicação clara como ferramenta fundamental na mediação. “A criatividade é essencial para construção da medição”, contextualizou Nathalia.

Ao final, Marcelo Perlman destacou a importância da mediação como instrumento para resolução de conflitos empresariais, mudanças culturais, e o desafio de expandi-la no Brasil. “Vejo cada vez mais o olhar do advogado do século XXI, que vê o mérito enorme na composição entre as partes e que compreende que seus clientes entendem muito mais do que qualquer outra pessoa envolvida. Ainda temos um longo caminho de conscientização, de explicar o que é mediação para o cliente, mas percebo que, nas questões empresariais, os clientes cada vez gostam menos de um ‘pai’ para decidir por eles. Há muita queixa a respeito de imposições que existem de autoridades sobre os negócios”, finalizou Perlman.

Matéria original:

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