Etapas do Processo |
Técnicas e
Procedimentos |
Operacionalização da intervenção |
Impacto Esperado |
Pré-Mediação:
no
que concerne aos mediandos, receber informações sobre o
processo, com vistas a possibilitar a escolha consciente da
Mediação como meio de resolução do conflito e/ou
das questões existentes;
no
que tange ao mediador, possibilitar contato com as pessoas e com o tema que a
motiva, a fim de identificar se a Mediação é o meio mais
apropriado para trabalhar a questão trazida, se o mediador atuaria com
independência e se seria conveniente a Co-Mediação. |
Exposição
clara e concisa sobre a atuação do mediador; a estrutura do
processo - seu passo a passo, seus procedimentos e preceitos éticos -,
os objetivos, a adequação e o alcance da
Mediação; a identificação da conveniência
da co-Mediação para o maior aproveitamento do processo de
diálogo;
esclarecimento
sobre a disponibilidade esperada dos mediandos para atuarem de forma
colaborativa - postura favorecedora ao bom andamento do processo -, reverem
posições e considerarem soluções de
benefício mútuo.
Essa
etapa pode ser combinada com uma reunião privada preliminar,
com o objetivo de possibilitar expressão na ausência do outro
(discurso original e não reativo), acolher a fala e os sentimentos
iniciais de cada participante e reunir elementos para mapear o conflito
existente. |
Oferece
informações que viabilizam o exercício genuíno da
autonomia da vontade.
Transmite
segurança às pessoas por proporcionar uma previsibilidade sobre
o que irá ocorrer no processo e por deixar claros os limites e
alcances da atuação do mediador e da Mediação.
Possibilita
que o mediandos identifiquem a postura necessária ao êxito do
processo e criem compromisso com seus objetivos.
A
combinação de pré-mediação com reunião
privada preliminar pode ser interessante quando as pessoas estão
com suas emoções muito afloradas, possibilitando sua menor
interferência na interação dos mediandos na
reunião conjunta seguinte. |
Discurso
de Abertura:
etapa
de abertura do processo de Mediação, propriamente dito. |
Após
as pessoas manifestarem sua escolha pela Mediação, os
mediadores eleitos as recebem para esclarecer eventuais dúvidas
relativas à dinâmica da Mediação e a seus
princípios éticos;
nesse
momento, os mediandos ratificam sua disposição para respeitar
as premissas da Mediação – postura colaborativa;
disponibilidade para levar em consideração o ponto de vista do
outro, flexibilizar posições e construir soluções
de benefício mútuo;
também
nessa etapa, ocorre a negociação dos procedimentos que
nortearão os trabalhos: extensão do sigilo; acerto sobre a
duração e freqüência das reuniões; eventual
definição prévia do número de reuniões,
forma de rateio do pagamento para o caso de atendimento privado;
apresentação do co-mediador, caso a conveniência da
co-Mediação tenha sido identificada na
pré-Mediação. |
Possibilita
conhecer a disponibilidade do outro para cuidar da resolução da
questão pelo viés colaborativo.
Viabiliza
ratificar o compromisso de manter, ao longo de todo o processo de
diálogo, uma postura consonante com as premissas da
Mediação.
Confere
sentimento de autoria e de controle sobre o tempo do processo de
diálogo, em função da garantia conferida pela
definição de como o mediador lidará com esses aspectos. |
Relato
das Histórias:
etapa
da narrativa dos mediandos.
Esta
etapa utilizará, com primazia, um conjunto de técnicas de
comunicação. |
Neste
momento da Mediação, o mediador utilizará, com destaque,
as ferramentas procedimentais e as ferramentas de comunicação
descritas na seqüência. |
Possibilita
a expressão e a escuta.
Viabiliza
conhecer o ponto de vista do outro, suas motivações para o
desentendimento e sua receptividade para a autocomposição.
Permite
identificar os temas de negociação e sua importância para
os mediandos.
Os
demais impactos advêm do emprego das ferramentas procedimentais e de
comunicação, elencadas a seguir. |
Definição
da Pauta de Trabalho:
construção,
ampliação e negociação da pauta de trabalho. |
Apresentação
dos temas objetivos e subjetivos, compilados pelo mediador durante o relato
das histórias, que, por uma percepção primeira, poderiam
integrar a pauta de negociação.
Importante
ressaltar que o mediador trabalha a pauta previamente, valendo-se das
técnicas de redefinição e conotação positiva,
apresentadas a seguir em ferramentas de comunicação.
Utilizando
a negociação como instrumento, o mediador auxilia os mediandos
na ratificação ou retificação da
conveniência de inclusão, em pauta, dos temas apresentados,
assim como em eventual ampliação – a ampliação
dos itens de pauta pode, e deve, se dar durante todo o processo de
diálogo e não fica restrita a esse momento do trabalho. |
Provoca
a sensação de ter sido ouvido e considerado, ao reconhecer seus
interesses e necessidades retratados na pauta de negociação.
Distancia
de sentimentos negativos, ao perceber que os temas e percepções
expostos ao longo dos relatos voltam apresentados com linguagem positiva.
Confere
possível desconforto por constatar que nem todos os itens de pauta
correspondem a seu especial interesse.
Confirma
a relevância de se flexibilizar posições para
alcançar um resultado que inclua o atendimento dos interesses e
necessidades de todos os envolvidos. |
Construção,
Ampliação e Negociação de Alternativas e
Eleição das Opções:
etapa
que permite brainstorming de alternativas de solução e
eleição de opções que gerem mútua
satisfação.
Esta
etapa utilizará, com primazia, um conjunto de ferramentas de
negociação. |
Exposição
das pautas, objetiva e subjetiva, identificadas pelo mediador a partir do
relato das histórias;
geração
e negociação de alternativas para cada item de pauta, com
análise de custos, benefícios e repercussões sobre si e
sobre terceiros;
identificação
de se as alternativas pensadas atendem necessidades, interesses e valores de
todos os direta e indiretamente envolvidos;
escolha
da(s) opção(ões) que propicie(m) benefício
mútuo. |
Exige
a flexibilização das próprias percepções e
idéias de forma a eleger soluções que incluam,
também, as percepções e idéias do outro.
Convida
a visitar o lugar dos envolvidos direta e indiretamente em cada
situação, de modo a identificar seus valores, necessidades e
possibilidades.
Provoca
o exercício da solidariedade e propicia protagonismo e autoria.
Os
demais impactos advêm do emprego das técnicas de
negociação descritas a seguir. |
Elaboração
dos Termos do Acordo e Assunção de Compromisso:
fase
de redação, revisão do texto de acordo, eventual
adequação do texto e assinatura do acordo. |
Consolidação
das opções em um texto escrito na linguagem das pessoas, a fim
de que possam se reconhecer como autoras;
redação
balanceada em termos de ações e atitudes que caibam a todos e
cada um;
leitura
do texto para que os mediandos identifiquem fidelidade às suas
idéias e para que os advogados avaliem a compatibilidade com a
legislação aplicável e, eventualmente proponham
adequações;
assinatura
do acordo pelos mediandos;
eleição
do grau de eficácia que se pretende conferir à
composição consensuada - compromisso verbal, se
não for formalizado pela assinatura dos mediandos; contrato escrito,
quando os termos do acordo consubstanciarem documento firmado pelos
mediandos; título executivo extrajudicial, na hipótese
de contar, também, com a assinatura de duas testemunhas; título
executivo judicial, caso seja revestido de redação
jurídica e obtenha homologação judicial. |
Ritualiza
a passagem de um estado de desentendimento para um de
co-laboração em direção ao alcance do
entendimento.
Proporciona
alívio e orgulho pela superação de um conflito ou
questão que pode, em algum momento, ter parecido intransponível
ou de muito difícil resolução.
Potencializa
a probabilidade de cumprimento do acordado, em razão da autoria.
Exige
a percepção de que um acordo consensuado compreende
intenções e que, portanto, demanda um tempo e um percurso
não necessariamente lineares para sua implementação
plena. |
Derivação:
se
necessário (para substituição ou complementaridade),
encaminhar
os mediandos para modalidade diversa de atendimento, (i) seja em função
da melhor adequação de outro instrumento à
situação; (ii) seja em razão do melhor aproveitamento
que uma abordagem diferenciada possa propiciar aos mediandos; (iii) seja como
complementação do trabalho realizado pela
Mediação. |
Frente
à identificação, a qualquer momento, da existência
de outro instrumento mais apropriado à situação ou ao
perfil das pessoas, ou frente ao exaurimento do leque de recursos que a
Mediação pode oferecer para a questão ou para os
mediandos, o mediador tem o dever ético de:
(a)
gerar reflexão a respeito da adequação de outros meios
de abordagem e resolução da controvérsia;
(b)
promover, caso solicitado, negociação relativa à
eleição de outro recurso e, eventualmente, de profissionais
competentes para atuarem junto ao caso;
(c)
interromper a Mediação, se for o caso; e
(d)
identificar uma qualidade de atendimento que complemente ou dê
sustentação à Mediação ou à
composição alcançada durante sua dinâmica. |
Proporciona
aos mediandos segurança com relação ao trabalho que
está sendo desenvolvido, eis que privilegia o que melhor os atende.
Propicia
que os mediandos possam concentrar seu foco de atenção na
questão e não no processo. |
Monitoramento:
quando
conveniente,
acompanhar
sistematicamente a evolução do acordado, por tempo determinado
e periodicidade adequada. |
Acompanhamento
da implementação do acordo em sua plenitude ou em suas etapas
pré-definidas;
promoção
de micro-negociações que possibilitem o aprimoramento e/ou a
fluidez de sua execução. |
Incrementa
as possibilidades do pleno e fluido cumprimento do acordado.
Contribui
para a sustentabilidade do ajuste e da harmonia na relação
entre as pessoas. |
Avaliação
de Resultados:
sempre
que possível, consolidar
compilação
qualitativa e quantitativa de dados relativos à
percepção dos mediandos sobre o trabalho desenvolvido.
A
avaliação de resultados pode incluir o parecer dos mediadores,
das redes de pertinência dos mediandos, seus advogados ou defensores. |
Aplicação
de questionários ou de outras formas de coleta de dados, imediatamente
após o término da Mediação e/ou em momentos
sucessivos, com periodicidade variável. |
Demonstra
interesse pela percepção das pessoas em relação
ao atendimento realizado e a seus resultados.
Viabiliza
reflexão acerca dos dados compilados e, por conseqüência,
permite a correção de procedimentos e o aprimoramento dos
serviços. |
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Ferramentas Procedimentais |
Técnicas e
Procedimentos |
Operacionalização da intervenção |
Impacto Esperado |
Oferecer,
a cada etapa do processo de diálogo, uma explicação
sobre os seus objetivos. |
Dizer
dos propósitos da reunião presente e localizá-la na
cronologia do processo, de forma a assegurar três das premissas da
Mediação: o mediador como guardião do processo; os
mediandos como guardiões da autonomia da vontade, em toda sua
amplitude; o comprometimento dos mediandos com o exercício
responsável da liberdade de escolha.
Pode
ser interessante oferecer resumos positivos da(s) reunião(ões)
anterior(es), a fim de que se perceba a evolução positiva do
processo. |
Possibilita
a vivência dos sentimentos de segurança, confiança e
autoria, contribuindo para a eficácia do processo.
O
oferecimento de resumos positivos permite que as pessoas se dêem conta
do avanço alcançado até então e possam, a cada
momento, legitimar a Mediação como instrumento e ratificar sua
permanência no processo. |
Conferir
o tempo necessário para que cada etapa seja levada a termo com
adequação. |
Cuidar
da condução da Mediação, de forma a manter em
equilíbrio o tempo das etapas do processo - permitindo que cumpram sua
finalidade - e o ritmo que a situação demandar.
Articular
os timings - tempos de elaboração do pensamento e
expressão das idéias - dos diferentes atores da
Mediação: mediandos; mediador(es); redes de pertinência
dos mediandos; especialistas; advogados.
Vale
lembrar que o tempo cronológico (kronos) difere dos tempos
individuais (kairos), que também são distintos entre si. |
Possibilita
a percepção de encadeamento lógico da dinâmica do
processo de diálogo, de cuidado com o tema mediado e com os
participantes da Mediação.
Permite
identificar e administrar os diferentes tempos de participação
das distintas pessoas envolvidas na Mediação. |
Observar
os limites da Ética e do Direito que margeiam o processo de
Mediação. |
Estabelecer
como premissa que nenhuma composição construída na
Mediação pode ultrapassar as margens éticas ou deixar de
atender às normas legais cogentes - aquelas que, por tratarem de
direitos fundamentais, como liberdade, igualdade, dignidade, não podem
ser afastadas pela vontade das pessoas. |
Confere
aos mediandos e às suas redes sociais de pertinência, assim como
à sociedade em geral, a segurança de que o investimento neste
processo de diálogo possui eficácia moral e jurídica,
para além da sustentabilidade no tempo - eficácia naturalmente
esperada de soluções elaboradas em co-autoria. |
Criar
sinais próprios nas anotações. |
Demarca
a origem e a natureza das informações a partir da
utilização de sinais gráficos e/ou de diferentes cores,
nas anotações: quem ofereceu a informação; se em
entrevista conjunta ou privada – com ou sem a participação das
redes ou de advogados –; o grau de sigilo a ser conferido a cada
informação; os interesses e as necessidades comuns, complementares
ou divergentes; os valores; os impasses.
Oferece
um especial mapeamento, indicador de estratégias de
condução. |
Propicia
ressaltar para os mediandos os interesses, as necessidades comuns,
divergentes e complementares, assim como os valores.
Demarca
o que deve ser tratado com sigilo.
Confere
rapidez na articulação dos temas que irão compor os
resumos. |
Promover
reuniões privadas - também designadas caucus*
* “A
origem da palavra caucus é controversa, entretanto é
geralmente aceito que provenha do algonquim, cau´-cau-as´u
(‘conselho’) e provavelmente tenha sido introduzida no jargão
político pela Tammany Hall, uma associação de
políticos do Partido Democrata de New York conhecida pelo uso de
termos de origem indígena.
Outras
fontes afirmam que o termo deriva do Latim medieval caucus (‘tigela de
beber’), ligando-o ao Caucus Club, que existia em Boston à
época colonial. Nos Estados Unidos da América designa-se por caucus o sistema de eleger delegados em dois estados (Iowa e Nevada), na etapa das
eleições primárias ou preliminares na qual cada partido
decide quem irá receber a nomeação desse partido para a
presidência.“ (Wikipedia
- 27/12/2008). |
As
reuniões privadas consistem em um recurso, a ser utilizado quando e se
necessário.
A
utilização de reuniões privadas deve ocorrer quando: (i)
na percepção do mediador, possibilitarem ganho para a
dinâmica do processo diálogo; (ii) houver a necessidade de
ampliar temas ou oferecer questionamentos que demandem especial
exposição de qualquer dos participante; (iii) a
emoção constituir-se elemento obstaculizador da fluidez do
processo de diálogo; (iv)
na
avaliação do mediador, o andamento do processo de
diálogo não estiver compatível com a qualidade do
trabalho até então desenvolvido, suscitando a dúvida de
se haveria algum motivo não aparente - a ser investigado -
comprometendo sua evolução.
São
especialmente
úteis na desconstrução
de impasses e no acolhimento de diferenças; constituem espaço
ideal para as perguntas que exporiam os participantes se fossem feitas em
reuniões conjuntas.
A
possibilidade de uso dessa ferramenta, por iniciativa do(s) mediador(es) ou a
pedido do(s) mediando(s), deve ser aventada na
pré-mediação.
São
cuidados inerentes à sua utilização: garantir que todos
os participantes tenham igual oportunidade e por tempo equivalente; consultar
os mediandos acerca da extensão do sigilo de seu conteúdo. |
Possibilitam
esvaziamento de emoções, sentimentos negativos e queixas.
Viabilizam
acolhimento e cuidado.
Propiciam
que os mediandos se manifestem com maior liberdade sobre questões
delicadas.
Permitem
a desconstrução de impasses.
Dão
lugar e, conseqüentemente, possibilitam o esvaziamento do excesso de
emoção, contribuindo para o resgate ou o estabelecimento da
fluidez do processo de diálogo. |
Mapeamento
do conflito - analisar a natureza e o histórico do conflito. |
Classicamente,
a análise do conflito implica em 3 Ps: Pessoas - quem
são os atores direta e indiretamente envolvidos; Problema -
qual é a questão da discordância e como se constituiu
como problema; Processo - que tentativas de resolução
já foram feitas.
Sua
operacionalização implica em investigar, através de
perguntas, os três componentes acima mencionados – pessoas, problema e
processo, observando sua interação e identificando sua
contribuição para a situação presente.
A
análise do conflito não é estática e deve ser
refeita de tempos em tempos para acompanhar a evolução do
processo de desacordo ou de entendimento. |
Possibilita
mapear a questão de maneira a conhecer: sua extensão e seu
percurso no tempo; o envolvimento de diferentes pessoas e sua
participação na controvérsia; e as tentativas de
solução.
Viabiliza
desenhar o processo de diálogo a cada momento, conferindo
adequação permanente à sua
operacionalização.
Confere
aos atores do desentendimento a sensação de que o mediador está tratando a questão de forma abrangente e
cuidadosa. |
Enquadre. |
Relembrar,
sempre que oportuno ao bom andamento
do trabalho, as posturas e os princípios éticos preconizados
pela Mediação e levados ao conhecimento dos mediandos por
ocasião da pré-Mediação (exs.: não
interrupção, participação respeitosa,
manutenção do sigilo na extensão definida pelos
mediandos etc.). |
Confirma
as premissas definidas na pré-mediação, para a participação no
processo de diálogo.
Provoca
reflexões construtivas sobre que posturas e atitudes são mais
favoráveis à fluidez do processo de diálogo.
Cria
um contorno de cuidado, com o objetivo de possibilitar uma qualidade de
expressão e de escuta condizentes com um processo de diálogo
que se propõe a dar voz e vez aos participantes, promover
reflexão e proporcionar autoria.
Gera
confiança no processo e no mediador. |
Sugerir
a procura de técnicos/ especialistas para a aquisição
das informações necessárias a uma adequada capacidade
decisória. |
Estar
atento para a necessidade de se incluir o olhar de especialistas, de maneira
a capacitar os mediandos a decidirem as questões em tela com
propriedade.
O
mediador indicará e justificará a conveniência e/ou a
necessidade da consulta, mas não o(s) especilista(s) que
atuará(ão) no caso.
Na
hipótese de o(s) mediando(s) demandar(em) a indicação de
profissional(is) - por absoluto desconhecimento de como acessar
serviço da natureza indicada ou por escassez de recursos financeiros
- o mediador poderá oferecer
uma lista tríplice, no primeiro caso, ou encaminhar os mediandos para
redes sociais apropriadas, no segundo.
Para
tanto, deve haver a concordância de todos e o cuidado de não
provocar sentimento de desbalance frente à indicação
feita. |
Contribui
para criar confiança no processo, em função da
demonstração de cuidado por parte do mediador.
Possibilita
o sentimento de segurança e
adequação, com relação ao que está sendo
decidido.
Habilita
os mediandos com as informações necessárias para bem
decidirem. |
Criar
tarefas reflexivas. |
Entre
uma reunião e outra, ou, ainda, nos intervalos das reuniões,
quando por ocasião das entrevistas privadas, oferecer uma tarefa
voltada para aspectos positivos do processo de Mediação. Ex. que alternativas para além das
já pensadas, até o momento, poderiam ser incluídas?;
dentre as alternativas trazidas por você quais as que atenderiam melhor
a ambos? |
Possibilita
que os mediandos se mantenham sintonizados, de maneira positiva, na
Mediação.
Suscita
reflexão e negociação interna, distanciadas da
presença do outro e do ambiente de negociação.
As
tarefas objetivas, como ouvir a opinião de especialistas, entre uma
reunião e outra, também mantêm os mediandos focados no
processo de diálogo e comprometidos com sua evolução. |
Identificar
as redes de pertinência e a qualidade de sua participação
no contexto fático. |
Por
meio de perguntas, identificar quantas vozes estão sendo representadas
pela voz de cada mediando e em que medida essas outras vozes impedem o
avanço da negociação. Ex. a voz do advogado, dos
parentes, dos amigos, da crença religiosa etc.
Por
vezes, são necessárias negociações paralelas
entre cada mediando e sua(s) rede(s) de pertinência, para que estes
fiquem mais livres para negociar e menos comprometidos por sentimentos de
fidelidade a membros dessas redes.
Caso
haja essa necessidade, omediador poderá promover entrevista(s)
privada(s) com cada mediando e sua(s) rede(s). A Mediação legitima essa
qualidade de intervenção. |
Possibilita
discriminar as diferentes vozes presentes nos discursos e conhecer sua
contribuição no fomento ou na desconstrução do
desacordo.
Viabiliza
identificar a necessidade, ou não, da inclusão presencial
dessas redes no processo de diálogo.
Torna
concreta a possibilidade de negociar com os próprios pares, evitando
conflitos de fidelidade e a construção de desentendimentos
paralelos com as redes de pertinência. |
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Ferramentas de
Comunicação |
Técnicas e
Procedimentos |
Operacionalização da intervenção |
Impacto Esperado |
Escuta
Ativa: legitimação + balanceamento + perguntas. |
A
escuta ativa é intervenção de eleição nos
diálogos colaborativos - aqueles que têm proposta inclusiva e
buscam soluções de benefício mútuo -, e nos
diálogos produtivos - aqueles que privilegiam a escuta à
contra-argumentação, a construção de consenso ao
debate, o entendimento à disputa.
A
postura do(s) mediador(es) deve demonstrar uma escuta atenta, seja
através da linguagem verbal, seja a partir da linguagem não
verbal.
Integram
a escuta ativa o cuidado com o balanceamento das próprias
intervenções do(s) mediador(es); a legitimação e
o equilíbrio da participação dos mediandos; a
ampliação das informações trazidas e geradas nas
reuniões, por meio de perguntas.
A
legitimação, o balanceamento e as perguntas serão
descritos a seguir. |
Confere
acolhimento, sentimento de interesse e compreensão com
relação às questões aportadas à
Mediação.
Viabiliza
a expressão equânime dos mediandos, gerando confiança no
processo de diálogo. |
Legitimar
os sujeitos participantes. |
Receber
as pessoas com cortesia, ouvi-las com atenção, validar a sua
participação de forma verbal e não-verbal, possibilitar
que sejam ouvidas pelo(s) outro(s) participante(s) com respeito. |
Confere
sensação de compreensão e acolhimento.
Propicia
segurança e confiança para participar do processo de
diálogo. |
Legitimar
a possível necessidade de interrupção da fala do outro
e/ou possíveis inadequações dos atores participantes
(ex. posturas reativas). |
Oferecer
um cenário que possa servir de pano de fundo para:
(i) uma contenção que conota positivamente a
interrupção: em situações de
discordância, a escuta do ponto de vista do outro naturalmente provoca
reação, desejo de interrupção e a necessidade de
e/contra-argumentação ou esclarecimento, todavia...;
(ii)
uma contenção que confere acolhimento à necessidade
imediata de expressão: para não esquecer o que se tem
a dizer, pode-se utilizar o papel e a caneta disponibilizados à frente
de cada um...; para que todos tenham oportunidade de concluir seu
raciocínio, é importante que não haja
interrupção de parte a parte...
(iii) uma contenção que assinala ganho para o processo de
diálogo: para que eu (mediador) consiga individualizar e articular as contribuições de
vocês, é importante que
cada um possa encadear seu raciocínio, sem ser interrompido... |
Possibilita
sensação de compreensão e acolhimento, além de
reflexão sobre a própria conduta e sua adequação.
Torna
natural possíveis reações adversas e confere
legitimidade a eventuais interrupções à fala do outro.
Permite
que todos sejam tratados com igual cuidado, atenção e respeito.
Distancia
os mediandos de uma visão crítica a respeito do comportamento
do outro.
Possibilita
que cada um dos mediandos cuide de seu comportamento para atender ao processo
de diálogo e não ao outro; traz para o mediador e para o
processo a necessidade da não interrupção, em lugar de
ter o respeito ao outro como justificativa. |
Legitimar
a interpretação negativa sobre a pessoa, a postura ou a atitude
do outro, em situação de conflito. |
Acolher
a visão negativa sobre o outro, oferecida nas narrativas de cada um: é
natural que, em situações de discordância, se interprete
o que o outro faz ou diz de maneira negativa, no entanto... |
Valida
que se tenha uma percepção negativa sobre o outro e a
contextualiza com a situação vivenciada, ou seja, vincula a
interpretação dada com a situação de desacordo e
não com a pessoa, dando-lhe um caráter objetivo e não
relacional.
Possibilita
que se redefina positivamente a interpretação negativa feita
sobre a pessoa, a postura ou a atitude de cada um dos mediandos. |
Balancear
a participação de todos - dar voz e vez e estimular a busca por informaçôes
necessárias à reflexâo e à tomada consciente de
decisões. |
Conferir
oportunidade de expressão e viabilizar a participação
equilibrada de todos os mediandos;
atuar
ativamente para superar desbalances de informação,
identificando-os e sugerindo como corrigí-los (ex. pesquisa do assunto
em livros técnicos e/ou em revistas especializadas; consulta a pessoas
amigas que tenham especial conhecimento na matéria etc.). |
Proporciona
equilíbrio na participação de todos os mediandos e em
seu acesso à informação.
Gera
a sensação de segurança e de confiança no
mediador e no processo de diálogo. |
Considerar,
atentamente, as diferenças culturais entre os participantes.
Essas
diferenças podem ser evidentes - sujeitos de origem social e
econômico-cultural distintas -, ou sutis - o simples fato de serem dois
indivíduos únicos. |
Identificar
as diferenças que podem gerar impasses ao processo de diálogo;
buscar equilibrá-las com naturalidade, utilizando os instrumentos mais
adequados a cada situação de desbalance. |
Possibilita
a sensação de acolhimento, legitimidade e respeito à
individualidade, às possibilidades e às necessidades de cada
um. |
Identificar
e desconstruir impasses – elementos de qualquer natureza que obstaculizem o
diálogo e/ou a negociação (ex. distinção
hierárquica, desbalance de conhecimento, poder ou
condições emocionais). |
Distinguir
os recursos que melhor possibilitem manejar a situação de modo
cuidadoso e equilibrado: reunião privada com os mediandos,
inclusão, no processo, das redes sociais de pertinência,
sugestão de consulta a especialistas... |
Possibilita
a sensação de acolhimento, legitimidade e respeito à
individualidade, às possibilidades e às necessidades de cada
um.
Viabiliza
a continuidade do diálogo produtivo e da negociação.
Transmite
segurança em função da atenção dedicada
pelo mediador a aspectos subjetivos da negociação. |
Conferir
especial atenção às perguntas feitas. |
Eleger
com cuidado as perguntas, consciente de que não são
intervenções ingênuas, podendo provocar reflexão,
culpa, raiva, sugestionamento...
Seguem
algumas qualidades de pergunta, à guisa de ilustração:
Perguntas
fechadas: restringem
as respostas ao SIM e ao NÃO. ex. Você quer ou não dissolver a sociedade?
Perguntas
abertas: possibilitam
respostas para além do SIM e do NÃO. ex. O que o(a) motiva a pensar dessa
maneira?
Perguntas
lineares: buscam
relação direta entre causa e efeito. ex. Por que você perdeu a confiança no projeto comum?
Perguntas
sistêmicas: procuram
identificar múltiplos fatores e sua inter-relação na
origem e no desenvolvimento dos fatos. ex. Em que medida as mudanças do mercado ou fatores externos
podem ter contribuído para a instabilidade dos negócios?
Perguntas
circulares: pretendem
gerar clareza de percepção acerca da contribuição
de cada uma das pessoas - direta ou indiretamente envolvidas, com maior ou
menor grau de participação - para a origem e a
evolução do desentendimento. ex. De que forma cada um dos sócios poderia ter
contribuído para uma mudança de percurso?
Perguntas
auto-implicativas: convidam
as pessoas a considerarem (e a identificarem) sua maior ou menor
participação nos eventos. ex. Como você acha que possa ter contribuído para o
desentendimento de vocês?
Perguntas
reflexivas: promovem
articulações entre pensamentos e/ou crenças, gerando
novas possibilidades de encadeamento do raciocínio e de percepção
do ocorrido. ex. Qualquer das
perguntas formuladas acima pode provocar reflexão. |
Propiciam
rever sentimentos, percepções e atitudes.
Permitem
revisitar contextos e entendimentos.
Provocam
leituras e releituras lineares, inter-relacionais e auto-implicativas.
Na
Mediação, as perguntas têm por especial objetivo provocar
reflexão, gerar informação para as pessoas, de forma a
desfazer incompreensões, ampliar percepções e embasar
decisões. |
Criar
um contexto adequado para que as perguntas auto-implicativas possam ganhar
eficácia. |
Em
entrevista(s) privada(s), permitir ou criar oportunidade para que os
mediandos possam falar de sua percepção sobre a
inadequação do outro (discurso na 3ª pessoa do singular)
antes de convidá-los a pensar sobre suas possíveis
inadequações e/ou contribuições para as posturas
entendidas como inadequadas no outro (discurso na 1ª pessoa do singular)
- ação viabilizada pelas perguntas auto-implicativas. |
Permite
que diferentes temas possam ter vez, em especial aqueles de natureza
subjetiva e auto-implicativa.
Ao
expor e ser ouvido acerca das percepções e dos sentimentos
negativos que mantém com relação ao outro - discurso na
3ª pessoa -, cada um dos mediandos tém a oportunidade de esvaziar
o excesso de carga emocional que vinha acumulando ao longo do tempo.
O
discurso na 1ª. pessoa, provocado pelas perguntas auto-implicativas,
viabiliza perceber a própria participação na
construção dos desconfortos vividos. |
Dedicar
especial atenção ao ânimo de todos os participantes do
processo, à sua linguagem verbal (falada) e não-verbal
(silêncio prolongado, expressões, gestos, tom de voz, postura
corporal...), incluindo esta última como parte significativa do
diálogo*.
* Pesquisa
realizada por Mehrabian & Ferris em 1967 concluiu que 93% da
comunicação humana seria não verbal. Segundo J. O’ Connors e J. Seymour, a comunicação interpessoal
estaria representada pela linguagem corporal (55%), pelo tom de voz (38%) e
pelas palavras (7%)
Fonte: BURGOON, Judee K.,
BULLER, David B., WOODALL, W. Gill, Nonverbal Communication: The Unspoken
Dialogue,
New York
:
The McGraw-Hill Companies, 1996. |
Quando
oportuno e de benefício para o processo, sinalizar a
comunicação não-verbal percebida, em reuniões
conjuntas ou privadas, possibilitando que seja traduzida para linguagem
verbal ou que seja esclarecida em seu significado, uma vez que a maior fonte
de desentendimento no relativo à linguagem não-verbal é
a interpretação equivocada de sua intenção.
Essa
sinalização deve se dar em forma de pergunta, precedida pela
ferramenta I message, de modo a demonstrar que a
percepção é do mediador, mas que a
tradução desta percepção é do(s)
mediando(s). |
Demonstra
atenção cuidadosa com os participantes.
Metacomunica
- comunica em paralelo, de forma não explícita - que o mediador
estará atento a tudo e a todos.
Possibilita
que os sentimentos e pensamentos que motivam a linguagem não-verbal
tenham lugar e que as posturas que expressam a linguagem não- verbal
sejam bem compreendidas, diminuindo o risco de se constituirem em impasses. |
Mensagem
“Eu” (I message) |
O
mediador pode preceder as referências que fizer às falas dos
mediandos ou às próprias percepções - aspectos
subjetivos ou pouco claros da interação /
comunicação -, pela 1ª pessoa do singular, de forma a
caracterizar que é do mediador a autoria da leitura oferecida. Ex.
Pareceu-me que... Tive a impressão que... Posso, então, entender que ...? |
Possibilita
validar ou esclarecer a compreensão do mediador sobre as narrativas
verbais e não-verbais dos mediandos, preservando com o mediador a
responsabilidade pela leitura / percepção.
A
apresentação em forma de pergunta viabiliza que os mediandos
sintam-se à vontade para ratificar ou retificar a leitura oferecida.
Viabiliza
ir consolidando as percepções oferecidas pelo mediador. |
Dedicar
especial atenção à forma como os conteúdos das
falas são apresentados – a forma diz respeito à
relação com o outro; o conteúdo diz respeito à
substância, à informação. |
Em
reuniões privadas, chamar atenção para a forma como os
mediandos estão apresentando suas percepções, seus
pensamentos; pode estar provocando comprometimento da escuta ou da
compreensão por parte do outro.
Dificultam
a escuta as narrativas irritadas ou agressivas e, também, aquelas que,
por diferirem em demasia da expectativa ou do estilo de expressão do
outro, provocam pouca aceitação ou resistência. Ex. falas prolixas com um interlocutor
objetivo e vice-versa. |
Permite
que o conteúdo das falas fique livre das formas negativas ou dissonantes que o acompanham e inviabilizam que seja apreendido
por quem ouve.
Na
comunicação, o ser humano privilegia a forma ao conteúdo
e é capaz de recusar um conteúdo em função da
forma como é apresentado. |
Estar
atento à natureza dos discursos utilizados pelos participantes. |
Quando
as pessoas utilizam narrativas de categorias distintas (ex.: uma fala
emocional e outra contábil; uma narrativa pautada no agir e outra no
sentir), explicitar, de forma imparcial, essa ocorrência e convidar
cada um dos participantes a incluir “o idioma do outro”, levando-o em
consideração.
O
mediador deve cuidar para que nenhuma das categorias de discurso seja
privilegiada durante o processo, na pauta de negociação ou no
texto de acordo. |
Confere
legitimidade às diferentes qualidades de discurso.
Todos
são validados em suas falas na medida em que cada um é
convidado a visitar e incluir a narrativa do outro como possibilidade. |
Estar
atento em relação à qualidade de escuta dos
participantes. |
Dedicar
especial atenção à qualidade de escuta que cada um
confere à fala do outro:
escuta
inclusiva (atenta, considera o que o outro diz como possibilidade de reflexão);
escuta
excludente (atenta, considera o que o outro diz apenas com o propósito de
compilar material para contra-argumentação adversarial). |
Convida
à reflexão e à escolha consciente do uso que cada um
quer fazer da escuta do outro e do processo de diálogo como um todo. |
Estar
atendo para a possibilidade de colonização dos discursos:
ficar
tomado pelo que foi dito pelo outro, utilizando o próprio tempo de
fala para se defender ou para contra-argumentar. |
Logo
de início, ou após perceber que qualquer dos participantes se
mostra fortemente reativo às considerações do outro,
esclarecer, a todos, que podem eleger como querem usar seu tempo de fala:
trazendo suas próprias concepções e
percepções ou construindo contra-argumentações
para o que foi dito pelo outro, até então.
Esta
intervenção é extremamente útil no início
do processo de diálogo, para introduzir a fala daquele que irá
se expressar em segundo lugar. |
Estimula
a liberdade de escolha a respeito de como se quer usar o tempo de fala.
Possibilita
a eleição entre ser autor e expositor das próprias
idéias ou um interlocutor reativo.
Viabiliza
que os participantes se permitam refletir sobre o que é dito e como
é dito; sobre o que dizem e como/porque dizem.
Evita
que o processo de diálogo, como um todo, fique colonizado pelo
conteúdo da fala inicial - contestação, réplica,
tréplica... -, comprometendo o seu evoluir. |
Visitar
o lugar do outro. |
As
intervenções baseadas em recognition (norteador da
Mediação Transformativa) - perguntas que auxiliam a conhecer os
sentimentos, as preocupações, os interesses, as necessidades,
os valores e as possibilidades (de atender) de cada um - estimulam a visitar o lugar do outro, em dupla
mão.
Também
possibilitam visitar o lugar do outro as intervenções que
convidam cada um dos participantes a se visualizar na situação
que está sendo vivenciada pelo outro ou, ainda, a se imaginar em
semelhante contexto fático, em momento futuro. |
Possibilita
conhecer, e compreender, os sentimentos, as preocupações, os
interesses, as necessidades, os valores e as possibilidades (de atender) de
cada um.
Amplia
o entendimento acerca de porquê o outro age, se expressa ou reage de
uma determinada maneira.
Convida
à disponibilidade para atender aos interesses e necessidades do outro,
na medida em que esse movimento é percebido em dupla mão. |
Parafrasear:
reproduzir
o conteúdo de uma fala, mantendo fidelidade ao sentido, mas não
necessariamente às palavras utilizadas. |
Reapresentar
a fala de qualquer dos participantes, com a intenção de
conferir ênfase e/ou viabilizar a escuta. |
Possibilita
que todos os participantes da Mediação – autor da fala original
e demais pessoas – escutem e reflitam sobre o que foi reproduzido pela voz
imparcial e enfática do mediador. |
Redefinir
com conotação positiva |
Oferecer
uma narrativa, redefinida em termos positivos, que traduza o que foi dito por
algum dos participantes.
Este
recurso é especialmente útil quando as pessoas se expressam de
maneira dura ou agressiva. Ex. se alguém expressa sua raiva por
não ser ouvido(a) e por ter, na sua percepção, que
acatar, invariavelmente, o que o outro diz ou decide, pode ouvir do mediador: Percebo que o fato de você querer participar das decisões e
não identificar espaço para fazê-lo o(a) deixa
aborrecido(a). |
Permite
identificar, em uma atuação ou em uma fala categorizadas como
negativas, uma intenção positiva.
Possibilita
que o autor da fala ou da ação acima mencionadas possa rever
sua forma de expressão.
Viabiliza
que aquele que escuta o autor da fala ou assiste o ator da ação
possa identificar uma intenção positiva sob aquela forma - dura
ou agressiva - de expressão.
Todos
os impactos acima são potencializados não somente pela
ferramenta empregada, mas, especialmente, pelo fato de ser o mediador o
porta-voz da redefinição. |
Resumir,
utilizando a redefinição com conotação positiva. |
Apresentar
uma síntese do que foi dito - ao final de cada fala, após as
falas de todos os presentes, de tempos em tempos em uma reunião ou ao
seu término -, redefinido os relatos - situações,
acontecimentos, sentimentos... - em termos positivos. |
Os
resumos demonstram entendimento do que foi aportado, conferindo
sensação de acolhimento e de compreensão ao autor da
fala original.
Quando
oferecidos pela voz do mediador e redefinidos pela conotação
positiva, possibilitam:
(i)
que a própria pessoa se escute e possa redefinir sua
percepção sobre o conteúdo de sua narrativa;
(ii)
que uma abordagem eventualmente negativa e/ou desqualificadora passe a ter
seus aspectos positivos ressaltados, tornando-se passível de ser
ouvida, compreendida e considerada pela outra pessoa;
(iii)
que se organize uma linha lógica de raciocínio, tendente a
provocar novas idéias e atitudes. |
Oferecer
um resumo inicial. |
Oferecer
resumos positivos ao início de cada reunião, compilando os
movimentos e progressos até então realizados pelos mediandos. |
Quando
oferecido na primeira reunião - após a
pré-Mediação - possibilita que se obtenha uma
visão panorâmica do processo de diálogo, seus
procedimentos e objetivos.
Quando
ofertado na continuidade das reuniões, viabiliza que se dê
seguimento, ou que se retome, ao contexto positivo alcançado
até então, auxiliando a resgatar a evolução e o
avanço conquistados. |
Transformar
fatos negativos ou acusações em temas de interesse comum (ex.:
mentira em honestidade; agressividade em respeito; etc.). |
Na
medida em que surjam nos relatos acusações e críticas a
condutas passadas, intervir redefinindo-as com conotação
positiva e construindo uma pauta subjetiva - paralela à objetiva -
(ex. após menção recorrente a condutas agressivas,
perguntar: podemos entender que o respeito, de parte a parte, é de
interesse de ambos?; respeito mútuo é um tema que
poderia integrar a pauta de negociações?).
A
pauta subjetiva será composta pelos temas de interesse comum,
redefinidos positivamente. |
Possibilita
deslocar o rumo da conversa do que é ou tem sido indesejável
para o que é ou pode ser desejável.
Permite
que se perceba em que medida ambos contribuem ou deixam de contribuir, ainda
que de formas e em graus diferentes, para a manutenção de uma
boa interação.
Proporciona
redefinir acusações recíprocas por co-responsabilidade
na manutenção de uma convivência mais
satisfatória. |
Auxiliar
na identificação de histórias alternativas (ou
periféricas) - aquelas que reúnem fatos e momentos positivos
que também fazem parte do histórico de convivência e que
não são trazidos por não guardarem coerência com o
momento de desentendimento. |
As
histórias alternativas ou periféricas podem ser trazidas
à tona por meio de perguntas que incluam fatos e/ou experiências
que não tenham sido relatados na história oficial; nos
contextos de natureza adversarial, a história oficial (aquela
que é trazida para a mesa de negociações) costuma ser
recursiva e aprisionante.
As perguntas apreciativas - aquelas que resgatam aspectos positivos da
convivência anterior ao desentendimento - são de grande valia
para o acesso às histórias alternativas.
Ex.
Quando havia uma convivência harmônica entre vocês e as
negociações de diferenças não levavam ao
desentendimento, o que em cada um contribuía para a fluidez dessas
negociações? Que negociações importantes entre
vocês já foram feitas com sucesso? |
As
histórias alternativas arejam a narrativa com momentos de
atuação colaborativa, positiva e eficaz, ampliando, para os
mediandos, sua possibilidade de atuação.
Destacam
o que houve de positivo para que as pessoas possam se dar conta dos momentos
de êxito e de posturas colaborativas, assim como de outros fatores,
distanciados da litigância e da adversarialidade, que também
são parte integrante da história de sua convivência.
O
contato com aspectos positivos da interação possibilita
reconhecer recursos que podem ser utilizados na situação
presente. |
Externalizar
o problema. |
Auxiliar
as pessoas, que estão tomadas emocionalmente pelo problema e imersas
em seu contexto fático, a imaginá-lo como um objeto externo - um acontecimento e/ou uma situação, considerados sob o ponto
de vista eminentemente objetivo - a ser mapeado, analisado, destrinchado, com
vistas a se identificar soluções eficazes e efetivas.
Essa
possibilidade é gradativamente alcançada por perguntas
hipotéticas do mediador. Exs. Na hipótese de uma
dissolução societária, que providências seriam
necessárias? Caso se definisse a guarda das crianças de forma
compartilhada, como pensam que seria sua operacionalização
prática?
Nos
exemplos acima, dissolução societária e guarda
compartilhada são tratados como objetos de análise,
independentes da relação existente entre aqueles que
compõem o contexto fático. |
Distancia
cada uma das pessoas da emoção paralisante de estar
imersa em, para a ação construtiva de precisar
cuidar de.
Convida
à pró-atividade. |
Esclarecer
sobre o significado de palavras ou expressões às quais
múltiplos sentidos podem ser atribuídos, especialmente quando
são temas de negociação.
Exs.
fidelidade, responsabilidade, justiça, respeito, parceria,
cumplicidade... |
O(s)
mediador(es) deve(m) cuidar para que os mediandos conheçam a
particular significação que cada um atribui às palavras
ou expressões de sentido múltiplo, utilizadas na
negociação.
Essa
particular significação conferida às palavras ou
expressões condiz com as referências histórico-culturais
que cada um dos mediandos acumulou em sua trajetória como sujeito do
mundo e como sujeito daquela relação. |
Contribui
para apurar a qualidade do entendimento sobre o que está sendo dito ou
proposto.
Evita
gerar mal-entendidos decorrentes de interpretações ou
significações não coincidentes, mas correspondentes a
uma mesma palavra ou expressão.
A
explicitação dos significados possibilita preservar a
relação inter-pessoal de impasses ou desentendimentos, mesmo
que não se alcance convergência de significações. |
Traduzir
em perguntas as articulações que o(s) mediador(es) puder(em)
fazer a partir do que é dito ou trazido pelos mediandos. |
Reunir
e articular diferentes pensamentos, concepções ou
idéias, apresentados pelas pessoas ao longo do processo de
Mediação, e expor a síntese desta
articulação em forma de pergunta.
Essa
ferramenta é especialmente útil quando o conjunto de
pensamentos, concepções ou idéias articulado pode
ampliar as alternativas de solução e tal fato escapa à
percepção dos mediandos. |
Faz
ver que se pôde extrair dos próprios pensamentos,
concepções ou idéias dos mediandos - articulados com
isenção de parcialidade - a possibilidade de
solução.
Mantém
a autoria das alternativas e das soluções com os mediandos.
Amplia
o comprometimento com as soluções eleitas, por contemplar os
pensamentos, concepções ou idéias de autoria
genuína dos próprios mediandos. |
| |
|
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Ferramentas de
Negociação |
Técnicas e
Procedimentos |
Operacionalização da intervenção |
Impacto Esperado |
Identificar
terceiros envolvidos – aqueles que não participam diretamente das
negociações mas são implicados por seus resultados –,
seus interesses e necessidades. |
Por
meio de perguntas, mapear quem são os atores indiretamente envolvidos
nas questões trazidas e nas decisões que estão sendo
tomadas, seus interesses e necessidades, assim como as repercussões do
acordado sobre suas vidas. |
Possibilita
que os mediandos se dêem conta de que outras pessoas, civilmente
capazes ou não, serão afetadas, positiva ou negativamente, por
suas escolhas, e que seus interesses e necessidades podem não estar
sendo considerados nas deliberações. |
Provocar
reflexão sobre custos e benefícios inerentes às
alternativas geradas na fase de negociações, seja em
relação aos mediandos, seja em relação aos
terceiros indiretamente envolvidos. |
Atuar
como agente de realidade, convidando os participantes a identificarem,
durante o momento de eleição de opções dentre as
alternativas pensadas, os custos e os benefícios de suas escolhas
sobre si mesmos e sobre terceiros. |
Permite
que, a partir da avaliação das conseqüências de suas
escolhas, os mediandos se mantenham atentos e disponíveis para: (i)
reverem idéias iniciais, (ii) ponderarem sua aplicabilidade, (iii)
aportarem novas alternativas e (iv) combinarem diversas possibilidades entre
si, de forma que todos fiquem atendidos.
Possibilita
que as soluções eleitas sejam sustentáveis no tempo, eis
que atendem interesses e necessidades múltiplos, espraiando seu
espectro de abrangência e minorando a possibilidade de
resistência. |
Identificar
interesses comuns e complementares. |
Estar
atento, durante as narrativas, para identificar a coincidência e a
complementaridade dos interesses e valores, explicitando-as para os
mediandos. |
Possibilita
que os mediandos: (i) se deparem com a convergência de interesses e/ou
valores - idéia não admitida pela posição
adversarial -; (ii) se dêem conta de que possuem identidade com o
outro, no que concerne a temas comuns de cuidado; (iii) percebam que a
composição de acordos e a construção de consenso
são alcançáveis, confirmando a adequação
da escolha da Mediação como instrumento; (iv) tenham sua
disponibilidade para o diálogo colaborativo e inclusivo
potencializada, inclusive no relativo a temas outros.
Estimula
ações cooperativas. |
Manejar
interesses divergentes. |
A
partir da identificação de interesses divergentes, investigar
se estes podem estar assentados em valores comuns ou complementares; dessa
forma, pode-se vislumbrar algum nível de convergência entre os
interesses divergentes e possibilitar a construção de
soluções de benefício mútuo, visando um bem maior
– o valor identificado.
Como
exemplo, podemos encontrar entre árabes e israelenses valores
convergentes como a preservação da vida de suas
populações e o respeito à diferença - valor de
ocorrência freqüente nas situações de antagonismo -,
dentre outros. |
Permite
a identificação de interesses comuns – via valores – e da
possibilidade de se trabalharem alternativas geradoras de
opções que visem o benefício mútuo, viabilizando
que uma negociação tenha lugar.
Minimiza
a competitividade, a desesperança e o sentimento de
frustração, resultantes das incompatibilidades.
Provoca
colaboração para o atendimento de um bem maior - um valor -
que, de maneira geral, diz respeito, também, a terceiros. |
Articular
necessidade e possibilidade em dupla mão (princípio da
mediação transformativa). |
Convidar
os mediandos a nortearem suas posturas pelos princípios das
negociações baseadas em interesses – protagonismo, autoria,
beneficio mútuo – e da transformação da
convivência – atendimento de necessidades segundo possibilidades –, auxiliando-os a identificar o que necessitam (assim
como os terceiros indiretamente envolvidos) e a possibilidade de atendimento
pelo outro. |
Oferece
dados de realidade para que se possa: (i) refletir sobre o que se está
caracterizando como necessidade e sobre se, como e em que medida pode
ser atendido pelo outro; (ii) desapegar de parâmetros emocionais,
quando da identificação de necessidades e possibilidades; (iii)
conhecer qual a distância ou a proximidade entre o que se necessita e o
que o outro pode oferecer; (iv) atuar cooperativamente.
Distancia
os mediandos de parâmetros objetivos convencionais, que não
articulam reais necessidades e possibilidades de todos os envolvidos: ex.
pautar o pagamento de pensão alimentícia em percentuais de
salário sem considerar parâmetros outros; optar pela
demissão em massa sem consultar os interessados sobre alternativas que
atendam melhor seus interesses e necessidades. |
Auxiliar
na identificação da Melhor Alternativa Negociada – MAN e da
Pior Alternativa Negociada – PAN. |
Em
entrevistas privadas, convidar os mediandos a refletirem sobre a
solução ideal (MAN) e a solução
indesejável (PAN), para a situação que se apresenta.
Estimular
os mediandos a pensarem em soluções que fiquem compreendidas
entre essas duas margens. |
Coloca
em contato com a realidade.
Cria
margens entre o ideal e o indesejável, oferecendo parâmetros e
limites entre os quais os mediandos devem conduzir a
negociação, na busca de soluções
possíveis.
Auxilia
a flexibilizar soluções e a considerar o outro no atendimento
de suas necessidades. |
Não
abandonar a solução ideal: trabalhar o passo-a-passo para
alcançá-la. |
Quando
o ânimo das negociações for comprometido pela
constatação de que as soluções ideais não
são possíveis em um determinado momento, ajudar os mediandos a
identificarem se seriam passíveis de realização mais
adiante e a construírem um passo a passo para
alcançá-las ao longo do tempo. |
Ajuda
a identificar quando as soluções idealizadas seriam
passíveis de realização ou quando haveria
impossibilidade temporária ou definitiva de implementá-las,
mantendo, assim, o estímulo para prosseguirem no processo de
diálogo. |
Criar
cenários futuros. |
Utilizar
perguntas hipotéticas que auxiliem os mediandos a localizarem as
possibilidades de solução aventadas em um futuro de
médio a longo prazo*. Ex. Como
imagina que esta solução estará sendo administrada daqui
a 5 anos?
*
Quando as perguntas de futuro dizem respeito ao que gostariam de
alcançar (resultados) ou como gostariam que a situação
estivesse dentre de 5 / 10 anos são denominadas de generativas. |
Possibilita
que os participantes da Mediação projetem suas escolhas no
futuro e avaliem sua efetividade e sua eficácia, a médio e a
longo prazos, assim como seus custos e seus benefícios, para si mesmos
e para terceiros.
Viabiliza
rever opções, consideradas como adequadas, quando somente o
marco presente está sendo levado em consideração (ou
quando o marco futuro não está sendo levado em
consideração). |
Separar
as pessoas dos problemas – primeiro princípio de
negociação da Escola de Harvard. |
Auxiliar
as pessoas a discriminar a relação social que possuem da
questão objetiva que as trás à Mediação;
trabalhá-las
– questão objetiva e relação interpessoal – em paralelo,
mas não de maneira sobreposta, para que uma não mascare a
outra.
Este
princípio viabiliza construir uma pauta objetiva e outra subjetiva. |
Possibilita
separar a questão em tela da relação social existente -
pauta objetiva de pauta subjetiva -, legitimando-as e permitindo que se
identifique a relevância de ambas e de cada uma, na
negociação.
Viabiliza
reconhecer o quanto as questões subjetivas estão complexizando
o tratamento dado às questões objetivas.
Encurta
o tempo da negociação e da controvérsia.
Viabiliza
identificar que, muitas vezes, os aspectos subjetivos da contenda consistem
no maior foco de desentendimento e que a criação de
solução para os mesmos pode ser suficiente. |
Construir
uma pauta objetiva e uma pauta subjetiva - conseqüente ao primeiro
principio de negociação da Escola de Harvard. |
Durante
o relato das histórias, ou a qualquer momento da
Mediação, discriminar o prático do emocional, o objetivo
do subjetivo, construindo pautas para ambos;
checar
com os mediandos se o entendimento que o mediador está tendo é
pertinente e se os dois grupos de temas identificados podem compor a pauta
global dos trabalhos. |
Legitima
os dois grupos de temas – o objetivo e o subjetivo – sempre presentes nas
mesas de negociação: a questão e a relação
entre as pessoas envolvidas.
Oportuniza
que os temas subjetivos tenham lugar, evitando que se apresentem travestidos
de questões objetivas e pecuniárias.
Confere
segurança no sentido de que temores, preocupações e
valores possam integrar a pauta e ser trabalhados pela
Mediação. |
Iniciar
a negociação pela pauta subjetiva. |
A
pauta subjetiva, que foi construída ao longo dos relatos, deve ser
categorizada como de benefício mútuo – por, comumente,
constituir obstáculo à fluidez da negociação da
pauta objetiva e por possibilitar o restauro da relação social
– e deve ser negociada antes das questões objetivas. |
Possibilita
“limpar a área” no relativo a questões subjetivas –
sentimentos, preocupações, valores –, evitando que se
apresentem travestidas de questões objetivas, gerando impasses ou
comprometendo a negociação.
Viabiliza
a desconstrução do conflito e o restauro da
relação social.
Prepara
para uma maior objetividade na construção de alternativas e na
eleição de opções. |
Iniciar
a negociação da pauta de trabalho por temas de menor
tensão e que atendam a todos os envolvidos. |
Eleger
a ordem de abordagem dos temas que integram a pauta de trabalho, de maneira a
privilegiar aqueles que interessam a todos e que são menos geradores
de tensão. |
Facilita
a produção de consenso logo no início da
negociação da pauta de trabalho, estimulando a continuidade da
negociação, a partir da percepção, pelas pessoas
envolvidas, de que podem construir um diálogo positivo e produtivo. |
Identificar
os interesses sob as posições – segundo princípio de
negociação da Escola de Harvard. |
As
perguntas: por que, para que, o que é mais importante para
você nesta negociação, o que você quer preservar,
cuidar... auxiliam a identificar o que de mais caro (interesse)
está encoberto por defesas
(posições) acirradas. |
Viabiliza
identificar e colocar em negociação as necessidades e os temas
de importância, ocultos sob as posições adversariais.
Propicia
alívio e confiança ao perceber que os interesses mais
valorizados pelos mediandos estão sendo objeto de cuidado e de
negociação, desmobilizando as posições
adversariais, erguidas em sua defesa.
Potencializa
a postura colaborativa.
dispensando
as posiçado e de negociaçresses mais caros estgociaç
elas na medida em que checa com as partes o entendimento qu |
Auxiliar
a pensar soluções de benefício mútuo – terceiro
princípio de negociação da Escola de Harvard. |
Convidar
os mediandos,
permanentemente,
para uma postura colaborativa, de forma que possam se disponibilizar a criar
soluções que atendam a si próprio e também ao
outro. |
Possibilita
colocar-se no lugar do outro para identificar suas necessidades.
Viabiliza
identificar, também, as próprias possibilidades de atender as
necessidades do outro (potencial transformador das premissas empowerment e
recognition).
Estimula
e legitima a colaboração, na medida em que os mediandos
identificam as necessidades do outro e o empenho deste outro em fazer o mesmo
com relação às suas necessidades e interesses. |
Criar
critérios objetivos – quarto princípio de
negociação da Escola de Harvard. |
Auxiliar
os mediandos a criarem critérios objetivos para a eleição
de soluções, notadamente quando, após se alcançar
consenso sobre um tema, a negociação ficar obstaculizada por
sua operacionalização.
Ex.
os mediandos optam por dissolver a sociedade comercial, mas não
encontram critérios que viabilizem a transferência da
participação societária de um deles. |
Evita
paralisar uma negociação que caminha no sentido da
eleição de opções de solução, mas
emperra na operacionalização de alguma alternativa eleita.
Possibilita,
então, que a negociação caminhe sem a
criação de novos impasses após uma importante tomada de
decisões.
Viabiliza
a vivência de eficiência e de eficácia e desperta
confiança na negociação. |
Trabalhar
com um mínimo de três alternativas – etapa de
negociação de opções. |
Promover
um brainstorming no relativo às alternativas geradas para cada
item da pauta, antes da eleição de opções de
solução.
O
mínimo de três alternativas é uma imagem
metafórica para indicar que a pauta de alternativas precisa ser maior
que o número de mediandos. |
Possibilita
a vivência de escolha e evita o cenário competitivo de ter que
eleger entre as idéias de A e as idéias de B.
Evita
a retomada de sentimentos de competição.
Provoca
a sensação de ter sido cuidadoso e participativo no processo
decisório.
Reveste
a solução eleita de satisfação e
realização por ter feito o melhor. |
Transformar ou em e. |
Não
permitir que o ou seja referência para a escolha de
alternativas;
trabalhar,
o mais possível, com a idéia de inclusão de propostas (e),
tornando viável a criação de soluções
híbridas – aquelas que somam as idéias / alternativas de todos
os envolvidos. |
Evita
a retomada da competitividade na fase de negociação de
alternativas.
Convida
para a construção de soluções inclusivas,
pautadas na satisfação mútua. |
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